Olho Seco: Sintomas e Tratamento | Dr. Gustavo Kalache - Oftalmologista em Americana
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Olho seco

Na maioria dos casos, o problema não é a quantidade de lágrima — é a qualidade dela.

As glândulas de meibômio, na borda das pálpebras, produzem a camada oleosa que impede a lágrima de evaporar. Quando elas entopem, a lágrima seca rápido e a superfície do olho fica desprotegida — mesmo em quem lacrimeja.

Por isso o tratamento de base não é só colírio: é desobstruir essas glândulas, com constância.

Você reconhece algum destes?
Ardência ou sensação de areia nos olhos
Visão que embaça e melhora quando você pisca
Olho vermelho e cansado no fim do dia
Lacrimejamento sem motivo aparente
Piora com telas, ar-condicionado e vento
Anatomia do filme lacrimal

Três camadas cobrindo a superfície do olho

O que chamamos de lágrima é uma estrutura em camadas, com espessura total de poucos micrômetros. Compare os dois estados no esquema abaixo.

ar
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camada lipídica
camada aquosa
camada de mucina
epitélio da córnea
Com a camada lipídica íntegra, a lágrima permanece sobre a córnea entre uma piscada e outra: a visão fica estável e a superfície protegida.
Esquema fora de escala — as três camadas somam poucos micrômetros de espessura.
Camada lipídica

Produzida pelas glândulas de meibômio, na borda das pálpebras. É a camada mais externa e funciona como uma tampa: sem ela, a lágrima evapora em segundos. É a que falha na maioria dos casos de olho seco.

Camada aquosa

Vem da glândula lacrimal e representa quase toda a espessura do filme. Carrega oxigênio, nutrientes e proteínas de defesa, além de limpar a superfície.

Camada de mucina

Produzida pelas células caliciformes da conjuntiva. Faz a lágrima aderir ao epitélio e se espalhar de forma uniforme a cada piscada.

Por que isso importa

Tratar olho seco quase sempre significa recuperar a camada lipídica — daí a compressa morna, a massagem e a higiene palpebral descritas abaixo. Só repor água com colírio, sem cuidar do óleo, resolve por pouco tempo.

A rotina que funciona

Cinco passos, uma a duas vezes por dia

A melhora é gradual e aparece depois de algumas semanas. Regularidade importa mais do que intensidade.

1
Lave bem as mãos

Antes de qualquer contato com a região dos olhos.

2
Compressa morna por 10 minutos

Morna e confortável ao toque — nunca quente. O calor amolece a secreção que entope as glândulas. Reaqueça se esfriar. Máscaras térmicas próprias para os olhos facilitam a rotina.

Dica prática

Um pulverizador de vapor (vaporizador facial) funciona muito bem aqui: mantém calor úmido constante durante os 10 minutos, sem a compressa esfriar no meio do caminho. Mantenha uma distância confortável do rosto e os olhos fechados.

3
Massagem palpebral

Logo depois do calor, com os olhos fechados: de cima para baixo na pálpebra superior, de baixo para cima na inferior, sempre em direção aos cílios.

4
Higiene da margem palpebral

Limpe a base dos cílios com produto próprio para higiene palpebral, removendo resíduo e oleosidade.

5
Repita todos os dias

Em geral uma a duas vezes ao dia. Interromper assim que melhora costuma trazer os sintomas de volta.

Cronômetro da compressa
10:00
Aqueça a compressa, feche os olhos e inicie. Um sinal sonoro discreto avisa no fim dos 10 minutos.
Colírios

Lubrificar é tratamento. Clarear o olho não é.

Na farmácia, dois tipos de frasco parecem resolver a mesma coisa — e fazem exatamente o oposto um do outro.

O que ajuda

Lubrificantes de qualidade

Um lubrificante adequado repõe a lágrima e protege a superfície do olho. A escolha do produto influencia o conforto ao longo do dia, e vale conversar sobre isso na consulta.

Sem conservantes quando o uso é frequente (a partir de 4 vezes ao dia). Conservantes como o cloreto de benzalcônio agridem a superfície justamente de quem mais pinga.
Viscosidade adequada ao caso: fórmulas mais fluidas para o dia, mais espessas ou em gel para a noite.
Uso em horários fixos, e não só quando incomoda. Lubrificante funciona como manutenção, igual à compressa morna.
O que atrapalha

Colírios que "tiram o vermelho"

Vários colírios vendidos sem receita têm derivados de adrenalina — nafazolina, tetraidrozolina, fenilefrina. Eles não lubrificam nada: contraem os vasos da conjuntiva, e o olho fica branco por algumas horas apenas na aparência.

Quando o efeito passa, os vasos dilatam mais do que antes — é a hiperemia rebote. O paciente pinga de novo, o rebote aumenta, e instala-se um ciclo em que o olho só fica branco com o colírio. O olho seco por trás disso continua sem tratamento, e a superfície costuma ficar pior do que no início.

Vermelhidão persistente é sinal para investigar, não para disfarçar. O mesmo vale para colírios com antibiótico ou corticoide usados por conta própria: o corticoide sem acompanhamento pode elevar a pressão ocular e favorecer catarata.

Conteúdo educativo. A escolha do lubrificante, a frequência e a necessidade de qualquer outro colírio devem ser definidas em consulta oftalmológica.

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Se você vai operar catarata, tratar o olho seco antes muda o resultado

O filme lacrimal é a primeira superfície óptica do olho. Instável, ele distorce as medidas da biometria — e medida ruim significa cálculo de lente menos preciso. Depois da cirurgia, ele também define boa parte do conforto nas primeiras semanas.

Isso pesa ainda mais em quem escolhe lentes multifocais ou EDOF, que são mais sensíveis a qualquer irregularidade da superfície.

Ver a cirurgia de catarata Comparar as lentes

Conteúdo educativo. Frequência, técnica e necessidade de colírios, pomadas ou procedimentos em consultório devem ser definidos em consulta oftalmológica.

Referências
TFOS DEWS II
Relatório internacional de consenso sobre olho seco
Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Material de educação e conscientização em saúde ocular
Academia Americana de Oftalmologia
Informação ao paciente sobre saúde ocular (em inglês)

Conteúdo desta página elaborado com base em fontes oficiais e na prática clínica, com finalidade educativa. Não substitui a consulta médica.

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