As glândulas de meibômio, na borda das pálpebras, produzem a camada oleosa que impede a lágrima de evaporar. Quando elas entopem, a lágrima seca rápido e a superfície do olho fica desprotegida — mesmo em quem lacrimeja.
Por isso o tratamento de base não é só colírio: é desobstruir essas glândulas, com constância.
O que chamamos de lágrima é uma estrutura em camadas, com espessura total de poucos micrômetros. Compare os dois estados no esquema abaixo.
Produzida pelas glândulas de meibômio, na borda das pálpebras. É a camada mais externa e funciona como uma tampa: sem ela, a lágrima evapora em segundos. É a que falha na maioria dos casos de olho seco.
Vem da glândula lacrimal e representa quase toda a espessura do filme. Carrega oxigênio, nutrientes e proteínas de defesa, além de limpar a superfície.
Produzida pelas células caliciformes da conjuntiva. Faz a lágrima aderir ao epitélio e se espalhar de forma uniforme a cada piscada.
Tratar olho seco quase sempre significa recuperar a camada lipídica — daí a compressa morna, a massagem e a higiene palpebral descritas abaixo. Só repor água com colírio, sem cuidar do óleo, resolve por pouco tempo.
A melhora é gradual e aparece depois de algumas semanas. Regularidade importa mais do que intensidade.
Antes de qualquer contato com a região dos olhos.
Morna e confortável ao toque — nunca quente. O calor amolece a secreção que entope as glândulas. Reaqueça se esfriar. Máscaras térmicas próprias para os olhos facilitam a rotina.
Um pulverizador de vapor (vaporizador facial) funciona muito bem aqui: mantém calor úmido constante durante os 10 minutos, sem a compressa esfriar no meio do caminho. Mantenha uma distância confortável do rosto e os olhos fechados.
Logo depois do calor, com os olhos fechados: de cima para baixo na pálpebra superior, de baixo para cima na inferior, sempre em direção aos cílios.
Limpe a base dos cílios com produto próprio para higiene palpebral, removendo resíduo e oleosidade.
Em geral uma a duas vezes ao dia. Interromper assim que melhora costuma trazer os sintomas de volta.
Na farmácia, dois tipos de frasco parecem resolver a mesma coisa — e fazem exatamente o oposto um do outro.
Um lubrificante adequado repõe a lágrima e protege a superfície do olho. A escolha do produto influencia o conforto ao longo do dia, e vale conversar sobre isso na consulta.
Vários colírios vendidos sem receita têm derivados de adrenalina — nafazolina, tetraidrozolina, fenilefrina. Eles não lubrificam nada: contraem os vasos da conjuntiva, e o olho fica branco por algumas horas apenas na aparência.
Quando o efeito passa, os vasos dilatam mais do que antes — é a hiperemia rebote. O paciente pinga de novo, o rebote aumenta, e instala-se um ciclo em que o olho só fica branco com o colírio. O olho seco por trás disso continua sem tratamento, e a superfície costuma ficar pior do que no início.
Vermelhidão persistente é sinal para investigar, não para disfarçar. O mesmo vale para colírios com antibiótico ou corticoide usados por conta própria: o corticoide sem acompanhamento pode elevar a pressão ocular e favorecer catarata.
Conteúdo educativo. A escolha do lubrificante, a frequência e a necessidade de qualquer outro colírio devem ser definidas em consulta oftalmológica.
Quem passa o dia em telas pisca menos — e o olho seco piora. A página sobre cansaço visual explica o mecanismo e traz a regra 20-20-20 convertida para metros.
O filme lacrimal é a primeira superfície óptica do olho. Instável, ele distorce as medidas da biometria — e medida ruim significa cálculo de lente menos preciso. Depois da cirurgia, ele também define boa parte do conforto nas primeiras semanas.
Isso pesa ainda mais em quem escolhe lentes multifocais ou EDOF, que são mais sensíveis a qualquer irregularidade da superfície.
Conteúdo educativo. Frequência, técnica e necessidade de colírios, pomadas ou procedimentos em consultório devem ser definidos em consulta oftalmológica.
Conteúdo desta página elaborado com base em fontes oficiais e na prática clínica, com finalidade educativa. Não substitui a consulta médica.